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Cap. II

Acordei exatamente às seis horas da manhã. Levantei-me da poltrona e fui escovar os dentes. Charlotte e Jean já não estavam em casa quando acordei, presumi que haviam ido trabalhar.

Eu trabalhava numa revista informativa semanal chamada “Quoi de neuf?” que juntava todos os fatos importantes da semana e publicava-os com informações a mais que os jornais comuns. Não era um sucesso de vendas, e a edição era sempre difícil, já que muitas das vezes ,quando a revista era publicada, os fatos já haviam sido esclarecidos, geralmente políticos e policiais. Os artigos culturais e comunitários eram sempre bem aceitos.

Quando cheguei ao trabalho, minha colega Lise logo veio me contar as fofocas diárias. Lise, desde que a conheci, sempre fora fofoqueira, mas nunca concordou com isso, e se autodenominava uma “mensageira das verdadeiras notícias”. Era uma mulher muito bonita, tinha longos cabelos loiros e lisos, olhos castanhos, pele clara e corpo sempre em forma.

— Você soube o que aconteceu?! — gritou Lise, enquanto corria até mim.

— O quê?! — perguntei rapidamente com os olhos arregalados.

— Uma moça foi assassinada hoje de madrugada! Parece que ela foi jogada duma janela. — parecia que toda a cidade já estava sabendo.

— Oh, sim! Eu soube. Na verdade… eu estava lá. — falei timidamente, com medo da reação de Lise, que quase desmaiou ao me ouvir.

— Como assim, você estava lá? Conte-me?! O que aconteceu?! Como aconteceu?! Quero todos os detalhes! — Lise ficou histérica.

— Alguém empurrou a moça da janela. — falei com um tom de quem não está nem aí — Havia muita gente lá querendo saber o que aconteceu. Não deu para ver com clareza.

— Bem… eu soube que o nome da moça que morreu era Sophie Fourrié. Ela era aluna de piano de uma tal Madame Roussely. Também ouvi dizer que a polícia está tentando encobrir o caso, já que a tal Sophie era filha de um casal rico da cidade… — Lise interrompeu a conversa para pensar, mas logo prosseguiu — Mas… se conseguirmos detalhes de uma testemunha ocular, a revista será um sucesso de vendas nas bancas… e como você estava lá, poderia dar um depoimento. — disse esta última frase sorrateiramente, mas suas palavras soaram como uma ameaça.

— Claro que não, Lise! Eu não quero me envolver nisso. Se a polícia não quer se abrir sobre o assunto, por que eu deveria?

— Mas por que não? Você disse que havia muitas pessoas no local e… a polícia não precisa saber quem deu o depoimento. Aliás, se a polícia descobrisse que você estava lá, você seria chamado para prestar um depoimento.

As palavras de Lise faziam sentido, mas eu não queria me envolver.

— E então? Vai ou não dar o depoimento? — perguntou Lise.

— Não!

— Por que você não olha pelo lado bom? — disse ela bufando — Você poderia, sei lá, ganhar um aumento, uns dias de folga, uma promoção… — Lise conhecia o meu ponto fraco — Eu posso te deixar à frente da matéria, que tal? Eu me lembro de que você me disse que seu sonho era ser um repórter investigativo, não é verdade?

A proposta ficou muito tentadora, eu poderia realizar um sonho, então acabei cedendo.

— Está falando sério?! — não pude conter a animação.

— Claro, mas só se der o depoimento.

— Ok, eu aceito!

Eu não tinha certeza de Lise iria convencer o Sr. Parganel, meu chefe. Pelo pouco que conhecia dele, não seria fácil, ele era uma pessoa tão dura de lidar. Eu estava tão feliz, mesmo sabendo que minha chance de me tornar um repórter investigativo estaria ameaçada por um não do meu chefe. De qualquer forma, eu esperei.

Lise conversou com meu chefe e eu peguei a liderança da matéria, eu trabalharia junto com um detetive da que foi especialmente selecionado pela delegacia para ajudar nas pesquisas da revista e coletar dados para a polícia, sob o acordo de que esta drenasse as informações que a revista usaria. O nome do tal detetive era Oliver Labadie.

Após o trabalho, fui para casa e encontrei Jean conversando com Lotte no telefone. Fui para o meu quarto e liguei para Lise para perguntar quando começariam as investigações, começariam já na manhã seguinte.

Tomei um banho e saí para espairecer um pouco, caminhei até um café que ficava perto da Eiffel, de onde se tinha uma bela visão da mesma. Por coincidência acabei encontrando uma velha amiga minha, Monique, que esteve na Itália para fazer um catálogo de vinhos. Ela, claro, não me viu, então fui chegando devagar até ela.

— Bonsoir, mademoiselle!

— Bon… você?! Que bom te ver!

— Quanto tempo! Chegou de viagem e nem me ligou. — disse eu brincando.

— Oh não, não! Eu acabei de chegar da Itália e antes de ir para casa eu resolvi passar aqui para tomar um café e comer alguma coisa, eu estava com fome e você sabe que comida de avião é horrível.

— Mas e então, como foi a sua viagem? Conseguiu terminar o catálogo?

— A viagem foi ótima, eu fiquei hospedada num hotel pago pela empresa, magnífico. E sim, eu terminei o catálogo.

A conversa se estendeu por algum tempo e nós não queríamos terminar o papo tão cedo. Eu fui para a casa de Monique, que ficava perto dali.

Às nove horas da noite eu resolvi ir para casa, e enquanto andava pela rua, imaginava como seriam as investigações. Eu sabia que seria um dia cansativo.

Ao chegar em casa, notei que Jean não estava em casa, então fui para o meu quarto, descansar para o dia seguinte.

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